Caso Gabriel: acompanhe as atualizações do julgamento dos PMS acusados de matar jovem em São Gabriel

Caso Gabriel: acompanhe as atualizações do julgamento dos PMS acusados de matar jovem em São Gabriel

Foto: Vitória Parise (Diário)

A sessão foi suspensa para intervalo e voltará em alguns minutos para início das réplicas.

O Grupo Diário acompanha em tempo real o julgamento dos três policiais militares acusados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos. A sessão do Tribunal do Júri ocorre no Foro da Comarca de São Gabriel e tem previsão de durar até quatro dias.

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Diretamente de São Gabriel, a repórter Vitória Parise acompanha todos os desdobramentos do julgamento, com entradas ao vivo na Rádio CDN (93.5 FM), boletins e atualizações sobre o andamento da sessão, desde a formação do Conselho de Sentença até os depoimentos, interrogatórios, debates entre acusação e defesa e, posteriormente, a leitura da sentença.

O caso Gabriel teve grande repercussão no Rio Grande do Sul e no país desde o desaparecimento do jovem, em agosto de 2022. Quase quatro anos depois, os três policiais militares denunciados pelo Ministério Público (MP) começam a ser julgados pelo Tribunal do Júri em São Gabriel.

No banco dos réus, estão o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen, de 46 anos, e os soldados Raul Veras Pedroso, de 32 anos, e Cléber Renato Ramos de Lima, de 44 anos. Eles respondem por homicídio qualificado por motivo fútil e por recurso que dificultou a defesa da vítima. Os três estão presos preventivamente desde agosto de 2022, no Presídio Policial Militar de Porto Alegre.

Confira as atualizações

Dia 1

  • Antes do início dos depoimentos, houve um sorteio do juri, formado por seis mulheres e um homem.
  • Por volta das 12h desta segunda, a juíza Liz Grachten ouviu a primeira testemunha, Rosane Machado Marques, mãe de Gabriel.
  • Logo após, houve um invervalo, entre 13h30min às 16h30min.
  • Na volta do intervalo, o pai de Gabriel Marques, Anderson da Silva Cavalheiro, depôs.

Pai de Gabriel Marques Cavalheiro, Anderson da Silva Cavalheiro, durante depoimento. Foto: Vitória Parise (Diário)
Pai de Gabriel Marques Cavalheiro, Anderson da Silva Cavalheiro, durante depoimento. Foto: Vitória Parise (Diário)

  • O depoimento do delegado José Soares Bastos (testemunha de acusação) começou por volta das 18h e se estendeu até cerca de 19h50min. O mais longo do primeiro dia de julgamento até então.
  • Pouco depois das 20h, começou o depoimento de Luiz Carlos de Almeida (testemunha de defesa), de 63 anos. Ele é policial militar da reserva remunerada há oito anos e atualmente é proprietário de uma chácara de cerca de um hectare e meio, localizada próxima ao ponto onde o corpo de Gabriel Marques Cavalheiro foi encontrado. Luiz Carlos foi ouvido justamente por morar nas proximidades da região de Lava Pé. Depoimento acabou próximo das 21h30 e foi o último da noite.

Confira em detalhes como foi o primeiro dia de júri.

Dia 2

  • Às 9h30min desta terça-feira (30), iniciou-se o segundo dia de julgamento.
  • O primeiro a depor no dia é o perito Áureo Felipe Norberto Duarte ​(testemunha de acusação), responsável pela perícia do corpo de Gabriel Marques Cavalheiro. Ele afirmou que Gabriel não apresentava sinais típicos de afogamento e que havia lesões na região do pescoço e da nuca. Segundo ele, impactos nessa área podem causar perda rápida de consciência ou até morte bruta, devido à presença de estruturas vitais e vasos sanguíneos na região cervical. Questionado pela promotoria sobre a possibilidade de a vítima caminhar após esse tipo de lesão, respondeu que os elementos periciais indicam que Gabriel teria entrado sem vida na água.
  • Na sequência, teve início o depoimento da tenente-coronel Karla de Mouraindicada pela acusação e responsável pelo Inquérito Policial Militar (IPM) do caso. Ela afirmou que a investigação concluiu que os policiais assumiram o risco da morte de Gabriel ao deixá-lo na região de Lava Pé, onde o corpo foi encontrado dias depois. Disse ainda que houve divergências nos depoimentos dos acusados, que relataram versões diferentes sobre o momento em que o jovem teria sido liberado, e que “dois afirmaram que Gabriel saiu andando da viatura”.
  • Na continuidade do depoimento, Karla afirmou que Gabriel “não estava em um estado normal” quando foi deixado no local, embora apresentasse odor de álcool e conseguisse caminhar. Declarou também que havia indicativos de que ele foi abandonado na região e manteve as conclusões do inquérito sobre a dinâmica dos fatos.
  • Ao fim do depoimento, a sessão foi interrompida para intervalo, com retomada prevista para as 15h15min.
  • Após o retorno do júri, foi a vez de o perito criminal Railander Alves Barcellos (testemunha da defesa) depor. Barcellos é responsável pela 5° Coordenadoria Regional de Perícias que atende Santa Maria e outros 33 municípios da região.


Depoimento do perito criminal perito Railander Alves Barcellos, na tarde desta terça. Foto: Vitória Parise (Diário)
Depoimento do perito criminal perito Railander Alves Barcellos, na tarde desta terça. Foto: Vitória Parise (Diário)

  • Na sequência, por volta das 16h30mina vizinha de Gabriel ​(testemunha de defesa), que por segurança terá seu nome preservado, começou seu depoimento. Este é um dos principais do dia, visto que foi ela quem testemunhou a abordagem policial inicial e registrou imagens da açãoO depoimento terminou às 18h.
  • Após o depoimento da vizinha, outra testemunha foi ouvida pelo júri (testemunha de defesa). A mulher relatou que iria a um baile com a amiga responsável por acionar a Brigada Militar na noite do caso e afirmou que não conhecia a mulher anteriormente, mas que as duas haviam combinado de ir juntas ao evento. Segundo o depoimento, ela viu Gabriel com vida ao chegar à residência, levou as meninas até outro local e, ao retornar, teria visto apenas a viatura da Brigada Militar deixando a casa. A testemunha disse ainda que a amiga não teria comentado sobre a ocorrência durante o trajeto até o baile.
  • Após um breve intervalo, por volta das 18h15min, o policial militar Gerson Vieira de Moura (testemunha de defesa), que coordenou as equipes de busca à epoca, iniciou seu depoimento. Ele foi o último e terminou às 21h30min.
  • Assim que foi encerrado o segundo dia de julgamento, o advogado Jean Severo e o promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim concederam entrevistas à imprensa. O defensor dos réus Raul Veras Pedroso e Cléber Renato Ramos de Lima afirmou que pretende apresentar, nos debates, uma tese segundo a qual um caseiro que estaria a cavalo na região onde o corpo foi encontrado seria o autor da morte de Gabriel. Segundo ele, essa pessoa não teria sido investigada à época. Em resposta, o promotor ironizou a hipótese comparou a versão à lenda gaúcha do Negrinho do Pastoreio.

Confira os detalhes do segundo dia de júri.

Dia 3

  • Às 9h20min desta quarta-feira (1º), teve início o terceiro dia de julgamento.
  • primeira testemunha a ser ouvida foi Carmem Fontana Fuganti (testemunha da defesa), de 75 anos, proprietária, junto do maridoTelvi Luiz Fuganti, 81 anos, da área rural onde o corpo de Gabriel foi encontrado, na localidade de Lava Pé, em São Gabriel.
  • Na sequência, por volta das 11h40min, foi a vez do marido, Telvi Luiz Fuganti ​(testemunha de defesa), prestar depoimento. Em sua fala, explicou que o casal mora em Santa Maria e frequenta a propriedade rural em São Gabriel periodicamente. Também relatou que, na época dos fatos, fazia tratamento contra um câncer e alternava períodos de cerca de 90 dias entre Santa Maria e São Gabriel.
  • Telvi também relatou que, quando Gabriel desapareceu, eles estavam em Santa Maria e que a volta para a propriedade estava prevista justamente para o dia em que o corpo do jovem foi encontrado. No entanto, afirmou que o retorno acabou não sendo em razão da localização do cadáver na área rural. "Mas não voltei por isso,  era o dia de voltar", disse durante o depoimento, o qual terminou 12h20min.
  • Após intervalo, às 14h15min, começou o depoimento com o tenente Argileu Nunes de Carvalho ​(testemunha de defesa), 61 anos. Ele relatou que conhecia Gabriel e que já teria dado uma carona a vítima até a região do Lava Pé. 
  • Por volta das 14h48min, o tenente Alexandre Rodrigues Pereira (testemunha de defesa) iniciou seu depoimento. Ele integrou o conselho que avaliou o caso administrativamente, tendo conversado com mais de 100 pessoas sobre o caso.
  • Às 16h10min, começou o depoimento do Major Magno Siqueira ​(testemunha de defesa), integrante da operação de resgate do corpo de Gabriel, que encontrado submerso em açude. Ele foi uma das primeiras pessoas a visualizar o corpo do jovem durante a retirada da água. Ele afirmou que um homem auxiliou as equipes no acesso à propriedade onde o corpo foi encontrado, disse que o IPM não reuniu provas suficientes para sustentar a hipótese de homicídio, descreveu a posição em que o corpo foi localizado no açude, comentou os primeiros depoimentos dos policiais militares e falou sobre o cumprimento das prisões preventivas.
  • Às 19h10minfoi encerrada a sessão no julgamento no fórum.
  • Na sequência, o júri se deslocou até a localidade de Lava Pé, em São Gabriel, para ver o local onde o corpo de Gabriel Marques Cavalheiro foi encontrado.

A pedido do Ministério Público e dos advogados de defesa, na noite desta quarta-feira (1º), o júri do Caso Gabriel dirigiu-se até a localidade de Lava Pé, em São Gabriel, onde o corpo de Gabriel Marques Cavalheiro foi encontrado submerso em um açude, em agosto de 2022. Foto: Vitória Parise (Diário)

  • Às 20h45min, o júri deixou a localidade de Lava Pé.

Confira em detalhes como foi o terceiro dia de júri.


Dia 4

  • O quarto dia de julgamento começou de uma maneira diferente: antes de retomarem às atividades no Fórum de São Gabriel, os sete jurados foram novamente até a localidade de Lava Pé, por volta das 9h20. Desta vez, o objetivo é permitir que os jurados observem, durante o dia, detalhes da barragem e da propriedade rural que não puderam ser visualizados na noite anterior.
  • Às 10h30, iniciaram o trajeto de retorno ao fórum
  • Por volta das 11h20, teve início o depoimento do policial militar Jorge Nicael Oliveira Lopes (testemunha de defesa). À época dos fatos, Jorge Nicael integrava o setor de inteligência da Brigada Militar (P2). O policial é responsável pela gravação de uma conversa com a mulher que acionou a Brigada Militar no dia do desaparecimento de Gabriel, material produzido durante a investigação do caso.
  • Às 13h48min, o depoimento foi encerrado e o julgamento entrou em intervalo. A sessão do Tribunal do Júri será retomada às 15h.
  • Às 15h28min, retornou o julgamento e iniciou-se o depoimento da última testemunha do caso, Raquel de Lima Pereira Souza ​(testemunha de defesa), vizinha do réu Raul Veras Pedroso.
  • Às 15h40min, foi finalizado o depoimento de Raquel de Lima Pereira Souza. A partir de agora, os réus irão depor.
Os réus do Caso Gabriel: à esquerda, Arleu Júnior Cardoso Jacobsen; ao centro, Cléber Renato Ramos de Lima; e à direita, Raul Veras Pedroso. Foto: Vitória Parise
  • Às 16h05min, começou o depoimento do réu sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen.
  • Antes de responder aos questionamentos das partes, Arleu fez um relato completo sobre sua versão dos fatos diretamente à juíza e respondeu perguntas específicas da magistrada. Ele se recusou responder as perguntas do MP e agora responde questões da defesa. Na sequência responderá pergunta dos jurados.
  • Por volta das 17h30min, foi finalizado o depoimento de Jacobsen. Na sequência, quem depõe é o réu Cléber Renato Ramos de Lima.
  • Por volta das 17h55min, o depoimento de Lima precisou ser interrompido após uma falha na rede de internet do Tribunal de Justiça, que prejudicou a gravação das oitivas.
  • Às 18h06min, foi retomado o depoimento de Lima. No momento ele responde às perguntas da defesa.
  • Às 18h24min, começou o depoimento do terceiro e último réu Raul Veras Pedroso.
  • Às 19h, encerrou-se o depoimento de Pedroso, marcando o fim do quarto dia de julgamento. O Tribunal do Júri será retomado na sexta-feira (3), com o início dos debates entre o Ministério Público e as defesas dos réus.

Confira em detalhes como foi o quarto dia de júri.


Dia 5

  • Às 9h54min desta sexta-feira (3), teve início o quinto dia do Tribunal do Júri do caso Gabriel Marques Cavalheiro. A maior parte da sessão será dedicada aos debates entre o Ministério Público e a defesa dos réus. Nos debates do Tribunal do Júri, o Ministério Público e as defesas dispõem, cada um, de 2h30min para apresentar suas teses aos jurados. Esse tempo pode ser utilizado de forma contínua ou com interrupções decorrentes de pausas durante a sessão, sem prejuízo ao tempo total destinado a cada parte.
  • Após a introdução do promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim, a promotora de Justiça Maria Fernanda Rabelo assumiu a apresentação da tese da acusação. O Ministério Público sustenta que os réus agiram com dolo eventual, ou seja, assumiram o risco de provocar a morte de Gabriel durante a abordagem realizada em agosto de 2022.
  • Por volta das 11h, a sustentação do MP teve continuidade com a promotora de Justiça Karine Camargo Teixeira, que assumiu a palavra.
  • Às 12h20min, foi feito um intervalo durante a sustentação do MP.
  • Às 12h47min, o júri foi retomado com a continuidade da sustentação da promotora de Justiça Karine Camargo Teixeira. Ela apresentou aos jurados mensagens trocadas entre os policiais à época dos fatos que, segundo o Ministério Público, foram apagadas posteriormente, mas recuperadas durante a investigação e incorporadas ao conjunto de provas da acusação. A sustentação da promotora foi encerrada às 13h09min.
  • Nos minutos finais da sustentação do Ministério Público, o promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim dirigiu-se aos jurados para concluir a tese de acusação. Por volta das 13h20min, a sessão foi suspensa para o intervalo de almoço. O Tribunal do Júri deve ser retomado às 15h, quando terão início as sustentações da defesa dos réus.
  • Às 15h26min, o tribunal do júri foi retomado. A partir deste momento, inicia-se a apresentação da tese da defesa. O primeiro a se manifestar é o advogado Maurício Adami Custódio, que atua na defesa de Arleu Júnior Cardoso Jacobsen.
  • Às 16h50min, foi encerrada a sustentação oral de Custódio. A sessão prossegue com a apresentação da tese de defesa.
  • Por volta das 17h, começou a apresentação oral do advogado Jean Severo.
  • Às 18h16min, foi encerrada a sustentação oral da defesa, marcada pelo argumento de que as investigações não aprofundaram todas as linhas possíveis de apuração. Os advogados defenderam que não há provas de que os réus tenham participado da morte de Gabriel Marques Cavalheiro ou da ocultação do corpo do jovem, além de levantarem a hipótese de existir um suspeito que trabalhava na propriedade onde foi encontrado o corpo de gabriel na regiao rural de lava pé.
  • Às 18h16min, foi encerrada a sustentação oral da defesa, marcada pelo argumento de que as investigações não aprofundaram todas as linhas possíveis de apuração. Os advogados defenderam que não há provas de que os réus tenham participado da morte de Gabriel Marques Cavalheiro ou da ocultação do corpo do jovem. Durante a sustentação, também levantaram a hipótese de que um homem que trabalhava na propriedade rural onde o corpo de Gabriel foi encontrado, na localidade de Lava Pé, seja um possível suspeito não investigado no caso. A sessão foi suspensa para intervalo e voltará em alguns minutos para início das réplicas.
  • Às 19h, a sessão foi retomada, com início da réplica, por parte do Ministério Público. A argumentação durou até as 20h45min.
  • A tréplica da defesa dos réus começou às 21h15min.

*Em atualização


Relembre o caso

Gabriel havia se mudado de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, para São Gabriel com o objetivo de prestar o serviço militar obrigatório no Exército. Na noite do dia 12 de agosto de 2022, enquanto estava hospedado na residência de um tio no Bairro Divina Providência, o jovem saiu do imóvel para tomar uma cerveja.

Uma moradora das proximidades acionou a Brigada Militar via telefone relatando que um homem desconhecido tentava forçar o portão de acesso à sua propriedade. Conforme o registro da denúncia e imagens gravadas por testemunhas na localidade, os três policiais atenderam a ocorrência, imobilizaram Gabriel e o colocaram no compartimento de transporte da viatura. Relatos coletados durante o inquérito apontaram o uso de golpes de cassetete. Essa foi a última ocasião em que o jovem foi visto com vida.

O corpo de Gabriel foi localizado uma semana depois, em 19 de agosto de 2022, submerso em um açude na região conhecida como Lava Pé, na zona rural do município.

No banco dos réus, estão o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen, de 46 anos, e os soldados Raul Veras Pedroso, de 32 anos, e Cléber Renato Ramos de Lima, de 44 anos. Eles respondem por homicídio qualificado por motivo fútil e por recurso que dificultou a defesa da vítima. Os três estão presos preventivamente desde agosto de 2022, no Presídio Policial Militar de Porto Alegre.

O Ministério Público afirma que vai ao júri com pedido de condenação e responsabilização dos acusados. A assistência de acusação, que representa a família de Gabriel, sustenta que o julgamento é um momento decisivo para o reconhecimento da responsabilidade criminal.

Já as defesas dos réus afirmam a inocência dos policiais e defendem que o julgamento seja baseado exclusivamente nas provas produzidas no processo.


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